Como detectar alterações cardíacas na gravidez?

Como detectar alterações cardíacas na gravidez?

A ecocardiografia possibilita o estudo tanto da anatomia quanto da função do coração fetal sendo idealmente realizada entre a 22ª e 28ª semanas de gestação. 

Você sabia que o coração é o primeiro órgão a se formar? Quando o embrião mede apenas 4,0 mm de comprimento já é possível ouvir os batimentos cardíacos pelo exame de ultrassom e sem dúvida este é o momento mais marcante da avaliação pré-natal pois demarca o início do vínculo dos pais com o bebê que está sendo gerado. Essa formação precoce do coração é importante para que se mantenha o fornecimento do oxigênio e dos nutrientes necessários para suprir as elevadas demandas do embrião que não para de crescer. Já na oitava semana de vida intrauterina, antes dos demais sistemas terem se formado, todo o aparelho cardiovascular do bebezinho está completamente pronto e funcionante.

O coração fetal apresenta particularidades anatômicas e funcionais que o diferenciam do coração do recém-nascido e do adulto. Isso se dá porque na vida intrauterina a placenta é a única fonte de oxigênio para o feto e não os pulmões como acontece logo após o nascimento. Além disso para que o sangue rico em oxigênio chegue aos órgãos nobres formam-se “atalhos” na circulação que existem apenas na vida fetal, sendo interrompidos logo após o nascimento. Todas essas peculiaridades aliadas ao pequeno tamanho do coração, a posição da coluna fetal e a quantidade de líquido amniótico tornam a ecocardiografia um exame complexo e desafiador.

As cardiopatias congênitas não devem ser negligenciadas. Elas são as malformações mais comuns sendo 4 vezes mais frequentes que a síndrome de Down e 8 vezes mais frequentes que os defeitos do tubo neural, dois exemplos de alterações que são avaliadas rotineiramente nos exames morfológicos do 1º e 2º trimestres da gravidez. A alta prevalência das cardiopatias congênitas justifica por si só a realização do estudo anatômico detalhado do coração e dos grandes vasos através da ecocardiografia fetal em todos os fetos e não apenas nos considerados de alto risco.

Fonte:

Lopes, LM. Coleção FEBRASGO Medicina fetal:ecocardiografia fetal. In: Fonseca, EB, Moreira de Sá, RA. (Org.). Elsevier,2018.p.257-267.

Lopes, LM. Ecocardiografia fetal. In: Lopes, LM. (Org.).Revinter,2016.p.1-22.

Stamm, ER, Drose, JA. Tratado de ultrassonografia diagnóstica:o coração fetal. In: Rumack,CM, Wilson,SR, Charboneau,JW,Levine,D. (Org.).Elsevier,2012.p.1294-1326.

Massoler,N, Goméz,O, Benassar,M, Crispi,F, Marimón,E, Martinéz,JM. Actualización en medicina maternofetal: diagnóstico prenatal de las cardiopatías congénitas. In: Figueras, F,Gratacós, E,Puerto, B (Org.). Fetali+education, 2015.p.31-37.

Imagem: Fotolia.

Kemuel Bandeira
kemuel@humani.us

Membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia/ Membro titular da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia/ Título de especialista em Ultrassonografia Geral pelo CBR-AMB/ Título de especialista em Medicina Intensiva AMIB/AMB/ Título de especialista em Clínica Médica GDF/MEC/ Membro da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva.